Ninho

de Marc Garcia Coté

Ninho é um texto premiado do autor catalão Marc Garcia Coté que teve sua estréia mundial no Brasil em meio à pandemia. O primeiro texto de Marc a ser encenado  no Brasil, “Ninho” é um monólogo que dá voz a uma mulher que há vinte anos não falava mais. Em meio a poesia, imagens e correlações, Marc vai revelando a trajetória de Alba, sua infância, seus traumas e seus delírios acerca do que é real, tecendo assim uma teia onde tempo e espaço se confundem. A montagem dirigida por Bruno Guida explora a estética do bufão. Nela a atriz se relaciona o tempo todo com a platéia, alternando momentos cômicos e trágicos de maneira surpreendente. 

PALAVRA DO AUTOR

A queda de um avião é o ponto de partida da história contada de forma fragmentada pela nossa protagonista, Alba. Quando eu escrevi a voz dessa personagem, o que mais me surpreendeu foi a forma de como ela se apresentou: por espasmos. Eu, então, me propus a puxar o fio tenso do silêncio que a página em branco me oferecia de forma abundante. Eu queria refletir sobre a mudez; especialmente essa passagem entre o fim da mudez e o começo da voz falada. Neste instante preciso onde o abismo se apresenta diante de nós e nos abriga a construir uma ponte entre a voz e palavras desconhecidas para que a consciência consiga, dessa forma, atravessa-lo sem cair. A queda desse avião é a possibilidade de cair, o medo de fazê-lo, e o medo de não fazê-lo. É essa queda que provoca o monólogo interior de Alba : um NINHO de vozes que se encontram numa verdadeira fuga da consciência e nos permite viajar até uma ilha maravilhosa cheia de pássaros, onde Alba terá que se confrontar com seus medos se lançando num terrível redemoinho de emoções. A realidade sombria das relações humanas, “os espectros”, o urubu do qual ela cuidava no hospital de pássaros, o ornitólogo que insistia para que ela entrasse, pequena com o cabelo penteadinho, na gaiola desse urubu, as fragilidades e as inseguranças depois do ataque do pássaro a empurram, vinte anos depois, para à beira do abismo.

Hoje, ela não pode mais se calar. Ela fez isso sem perceber por anos e anos. Ela tentará se esconder, sorrir, não chorar por amor. Pode ser que, afinal, o desejo de amar, hoje, faça tudo explodir..

FICHA TÉCNICA

TEXTO marc garcia coté
DIREÇÃO bruno guida
ELENCO janaina suaudeau

CENOGRAFIA marcela donato

ILUMINAÇÃO aline santini

FIGURINO daniel infantini
TRILHA SONORA marcelo pellegrini

PRODUÇÃO contorno produções e pitaco produções